O passarinho na gaiola é azul. Tem o olhar triste e, se se chega perto, logo fica nervoso. Quando tentam pegá-lo ele é agressivo. Tem as asas cortadas e, em uma das patas, uma coleira de identificação. Não bastaram as grades da gaiola, fora preciso seu dono instalar também rede. Dessa maneira o passarinho azul é feliz, pensa seu dono.
Come todos os dias alpiste. Bebe água no bebedouro. Já não aguenta mais. Já não canta mais. Seu olhar é triste, quer sair, mas não o deixam. É agressivo. Talvez sinta o perigo de se relacionar com humanos.
Sinto que ele chora em vez de cantar. Há tempos entoa um canto triste, um canto que parece de um funeral. Talvez esteja celebrando seu próprio enterro. Talvez esteja prestes a morrer.
O passarinho azul
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Brad e Lucy
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Brad não sabia que Lucy se comportaria daquela maneira. Por quê ela teria que pegar o celular dele e olhar as mensagens? Brad não se sentia culpado pela mensagem para Claire, mas estava atormentado com aquela atitude. Desde então, não falava mais com Lucy. Ela nem tentou ligar, já que sabia que ele não iria atender.
Desde os tempos de escola, Brad e Claire tinham sido "namoradinhos", mas agora não restava nada. Eram apenas amigos, apenas. Será que Lucy não entendia aquilo? Será que teria que desenhar? Bom, não queria estar na pele de Brad, principalmente no dia em que Lucy disse para escolher entre ela e Claire. Seria muito torturante. Imaginem escolher entre a namorada e a melhor amiga? Não satisfeita com a resposta de Brad, Claire pegou um táxi e virou as costas da Coast Avenue. Ela nunca mais foi a mesma. Brad repensou, mas viu que lutar contra os ciúmes seria difícil ou, provavelmente, impossível.
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Ps.: Não encontrado
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De repente acordei só. Virei de um lado para o outro mas, de repente a cama parecia tão grande. Não senti seu corpo do outro lado. Você não estava ali. Abri os olhos. Fitei a luminária, aquela que você me deu e que com as próprias mãos instalou. Olhei as paredes, aquelas que você pintou. Lembra daquele dia? Tão feliz, éramos tão felizes. Como crianças brincávamos com as tintas fazendo mil combinações. Pensa que eu não vi, mas no canto da parede você deixou sua assinatura. De repente aquela pequena palavra parecia tanto para mim. Senti algo estranho em meu peito, como se me tivessem arrancado algo. Um órgão, uma célula, um átomo...Seria possível perceber a morte de uma célula agora.
Uma célula. Algo tão de mim, com meu DNA. Um pequeno "eu". Era assim. Simplesmente assim. Você foi uma célula. Aliás, foi todas as células, foi algo de mim, de minha natureza. Sentir-me só não é comum. Nunca foi. Logo eu, que sempre tive muitos amigos e sempre estive rodeada de gente. Logo agora, nenhum estava ali. E nem você. Essa era a parte que mais dói. E como dói.
Tive uma idéia: talvez onde você estiver possa receber minha mensagem. Levantei depressa e peguei o celular. Escrevi: "quero você agora".
Foi quando recebi uma mensagem no celular: "Telefone não encontrado".
Custa-me acreditar.
De repente eu perdi o chão.
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