Em mil pedaços


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Todo mundo já ouviu a frase: "sorte no jogo, azar no amor". Como pode isso ser tão certo? Quando se está em um ótimo momento profissional, sua vida afetiva está uma merda. E vice versa. Quando pensamos estar por cima, aí é que estamos por baixo. Lembra daquela pessoa que você julgava fraca, débil e doente? Ela está bem melhor do que você hoje. Pense nisso.

Eu custo a acreditar que eu posso ser menos do que aquela pessoa que eu deixei para trás, para longe dos meus pensamentos, para longe dos meus sentimentos. Deixei porquê deveria deixar, queria mudar, queria voar... Fico pensando às vezes, quando apago as luzes do quarto e fico na companhia do silêncio, se eu errei, se eu fui burra. Será que eu modifiquei minha vida ao extremo assim? Será que eu quebrei de uma maneira que não pode mais ser refeita? Não acredito que um sentimento tão forte seja assim, brutalmente assassinado. Por mim.

Assumo todo o erro, toda a culpa. Meu coração hoje está uma peneira, cheio de furos, feridas, em frangalhos. Feridas de sentimentos que não chegam nem perto do que eu senti e que, debilmente deixei escapar. Você era como uma pedra na minha mão, fácil de pegar, totalmente comigo. De repente, se tornou água, que escorre pelos dedos. E vou seguindo assim, equanto você está feliz. Bem feito para mim. Fiz por merecer.

Casal na cama


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Era três da madrugada quando ele acordou me perguntando sobre o controle remoto da TV. Não era costume, mas normal esse tipo de comportamento. Depois da resposta, que poderia ser qualquer uma, ele se deitava e voltava a dormir. No outro dia, não lembrava de nada. Estranho, mas já me acostumei. Naquela noite eu estava acordada lendo um bom exemplar do jornal, já que não tenho tempo para ler durante o dia, só me resta a noite para me atualizar do mundo, chato, que vivemos. A única coisa boa naquele jornal era o tutorial de maquiagem. Nele a “pseudo-maquiadora”, ou seja, umas dessas donas de blogs que pensam que sabem sobre moda e beleza, ensinava a fazer uma maquiagem em tons de laranja e azul. Isso mesmo! Uma aberração, eu disse. Enfim, como não tenho nenhum blog desse tipo, não me atrevo a dizer nem esboçar nenhum tipo de opinião. Porém, estranho. Depois que ele saiu do banheiro, voltou pra cama, fechou os olhos e começou a dormir profundamente, ignorando o fato de, há poucos minutos ter levantado da cama. Olhei. O rosto familiar era meu porto seguro, meu amigo, meu companheiro. Mas porquê a mesma pessoa que pode ser maravilhosamente importante para você, pode deixar a toalha molhada em cima da cama, a tampa do vaso sanitário aberta, um copo na pia para eu lavar, entrar em casa com o tênis sujo da lama. Como pode? Pois bem, ele é homem. Mas será que é tão fácil assim? Ele é homem e eu sou mulher. Ele desorganiza e eu organizo. Ele suja e eu lavo. Será? Minha vasta experiência com esse espécime da raça humana me diz que a resposta a esta questão não é tão fácil assim. E que bobagem é aquela de “mulheres são de Vênus e homens são de Marte”? É assim mesmo ou ao contrário? Será que é só isso mesmo? Puro merchan para vender livretos de auto-ajuda disfarçados de Best Sellers. Ele é homem, mas isso não o faz desorganizado, com uma mania chata de querer mandar. Do mesmo jeito que eu sou mulher e isso não me faz a “certinha” da história. Faz tanto tempo que dormimos juntos. Lembro da época da faculdade. Era a mesma mania: levanta, fala alguma coisa e no outro dia não lembra de nada. Já me planejei para perguntar pequenos segredos a ele, algo que eu não teria coragem de perguntar se ele estivesse totalmente consciente. Mas, propositalmente ou não, ele nunca me respondeu perguntas do tipo “você já me traiu?”, “o que você acha da nossa vizinha?”, “por quê você voltou tarde naquela noite”?. Pois é, propositalmente ou não a verdade é que ele nunca me respondeu.

Volto ao meu já desatualizado jornal e ao ilustre artigo sobre a maquiagem laranja com azul. Quem lê esse tipo de coisa? Resposta idiota para a pergunta mais idiota ainda: eu mesma. Rio de mim mesma e olho para ele.
Fecho o jornal, é hora de dormir. Amanhã, crio vergonha e vou comprar uma revista com artigos de quem realmente escreve, estuda e vive moda e beleza.

Lágrimas e rímel


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Você já chorou de maquiando? O texto de hoje vai ser triste, se você estiver com a alma ferida, não leia, provavelmente vai se sentir pior. Porque, nesse momento, as lágrimas caem sobre meu rosto e eu imagino meu coração murcho, como uma rosa seca. Hoje, eu tive que me levantar da cama, tomar banho e me arrumar para mais um dia de trabalho. No chuveiro, as lágrimas corriam, secava os cabelos e as lágrimas corriam, até na hora da maquiagem, teve que ser refeita umas três vezes.

Por quê eu choro? Se eu sei que não vai dar certo, se eu sei que as tentativas foram frustradas, se eu sei que é melhor seguir sozinha. Meu Deus, por quê eu choro, ainda? Eu tô estranha, seca, fria...não sou assim. Eu não posso ligar pra ninguém, não posso aparentar fraqueza alguma. Eu me sinto sozinha, sendo alvejada por milhares de tiros, fazendo meu corpo e, principalmente, meu coração virar uma peneira.

É, por dentro, em frangalhos, fraca, debilitada, quase morta, mas eu tô de pé. Continuo chorando, mas eu sei que vai durar pouco porque eu sou forte, sempre fui. Só quero que passe. Que vá embora, da mesma forma que veio.

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