John Walter morava no subúrbio da Inglaterra. Era um homem bom e dizia-se que era o maior e melhor relojoeiro do país. Pelas suas mãos já tinham passados os relógios mais importantes do mundo, inclusive o relógio de do Rei Jaime I, no ano de 1615.
Em um dia gelado de inverno, John recebeu uma visita inesperada. Era um pobre senhor que batia em sua porta pedindo abrigo.
- Boa Noite jovem. Meu nome é Sali. Sou forasteiro, vim da Irlanda, da cidade de Dublin. Viajei de navio e a cavalo para chegar até aqui. Quando já estava próximo dos portões, dois ladrões me roubaram e levaram meu cavalo. Será que o cavalheiro poderia me dar abrigo durante esta noite?
- Sim, claro - disse John comovido com a história.
O velho Sali era um mercador árabe. Ele estava fazendo uma viagem pelo mundo e procurava os produtos mais maravilhosos para comprar e depois vendê-los para reis e rainhas. Sali tinha uma grande barba branca, era corcunda e tinha uma voz muito grave. Usava uma manta enrolada na cabeça e outra pelo corpo.
John ofereceu ao velho caldo de carne de porco que ele mesmo tinha preparado, pois era viúvo. Sua esposa e seu filho morreram no parto há exatamente 7 anos. Embora jovem e com boa vida, não se casou novamente.
À beira da lareira, John e Sali conversavam:
- Você é sozinho jovem? Onde está sua esposa? - perguntou o velho senhor
- Ela faleceu no parto há sete anos, levando junto meu filho.
- E por que não mais se casou?
- Não quero que isso aconteça de novo. Sofri muito e prefiro me concentrar em meu trabalho.
- E o que você faz?
- Sou relojoeiro. Fabrico relógios para os cavalheiros daqui, de Blackpool.
- É uma bela profissão. Senhor do tempo. O que ninguém pode duvidar é da existência do tempo. Sabe jovem, sou bastante velho e já conheço quase todo o mundo - afirmou Sali com que se gabando. Já visitei muitos países e conheci muita gente por aí. Quando tinha menos idade, conheci um velho na Alemanha, ele me parecia cheio de sabedoria. Ele era relojoeiro, assim como você, mas ele tinha algo de especial.
- O que ele tinha de especial velho? - indagou John duvidando daquela afirmação.
- Ele mandava no tempo.
John balançou a cabeça, como quem não entende.
- Vou explicar - continuou Sali. Ele sabia parar, antecipar e atrasar o tempo. Ele tinha um relógio mágico. Era como esses que você vê por aí nas ruas, mas ele tinha três botões: um que parava o tempo, outro que adiantava e outro que atrasava.
- O senhor deve estar cansado da viajem e está pensando em coisas que não existem. Vou preparar um local para o senhor dormir.
- Jovem tolo. Não vê o que eu estou lhe dizendo? É uma história verdadeira. Eu não acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos. De fato, estou cansado, irei me deitar. Mas, amanhã contarei a você como era fabricado esse relógio.
- Sim senhor. Vou preparar sua cama.
Enquanto saía da sala, John se perguntava: "Será verdade o que aquele velho está dizendo ou estará ele querendo me pregar uma peça?". Os dois foram deitar. Já era tarde e John teria muito trabalho no dia seguinte.
De manhã cedo, John se levantou, preparou um café e arrumou a mesa. Ele caminhou até a sala, onde estava dormindo Sali, próximo à lareira, mas ele não estava mais lá. Só haviam os lençóis e a manta usada pelo velho. Próximo dali, já mais perto da lareira, havia um bilhete. Ainda estava com a tinta fresca, o que fez John pensar que o velho teria saído há pouco tempo. No pedaço de papel estava escrito.
"Jovem,
Você me foi muito útil nesta noite deixando que eu pernoitasse em sua casa. Sou-lhe muito grato por isso.
Ontem, lhe falei de um relojoeiro alemão. Você se lembra? Neste papel, deixo escritas no verso as orientações para se preparar um relógio igual aos que ele fazia. Não ignore isso. É um presente por ter sido gentil comigo. Leia com atenção e não se arrependerá.
Um sincero obrigado do vendedor mais conhecido as arábias,
Sali.”
mas serão mesmo mil e uma noites Sherazade?
huhuhuh
favoritada Camilla
:*