O Relógio - Parte 3


.

John estava com o relógio mágico nas mãos. "O que fazer?", pensou. Seria demais pensar que poderia salvar sua esposa? Se não fosse aquela criança, Beatrice ainda estaria viva. Lembrava-se do dia lindo que fazia quando a conheceu no parque central da cidade. Lembrava-se de seu vestido rosa e de seus cabelos castanhos, que eram embalados pelo vento. "Sim!", agora era definitivo: ele queria Beatrice de volta. O velho vendedor não teria vindo à sua porta em vão, ele lhe trouxera uma chance de ser feliz.

---

Beatrice estava à sua frente, ela usava um vestido amarelo e por cima um avental. Era incrível como mesmo suja de cinzas do fogão ela continuava linda. Linda, essa era a palavra que definia Beatrice. Ela era linda de todas as formas. Quando conheceu Beatrice se encantou com sua beleza. Ela era, sem sombra de dúvida, a mulher mais bela de Blakpool.

Não sabia em que ano estava, em que mÊs nem em que dia da semana, mas sabia que tinha recuperado Beatrice. Esse era o maior dos presentes para ele.

- O jantar já está sevido. Você não vem?
- Sim, mas quero que você me faça um favor. Gostaria que me trouxesse um espelho.
- Um espelho?
- Sim, querida. Traga-me um espelho, por favor.

Ele não acreditava no que seus olhos enxergavam. Aquele velho vendedor estava certo: o relógio era mágico. Por alguns instantes, custou a acreditar que tinha ficado mais jovem, sua pele estava mais limpa, seu cabelo mais arrumado, sua barba feita e não usava óculos. Ele era um jovem de 21 anos. Ainda estava na flor da idade e Beatrice parecia mais linda como nunca antes fora. Ele agarrou a esposa, rodopiou pela sala com ela em seus braços. Seu vestido voava entre os móveis. Agora sim, poderia mudar tudo, faria tudo diferente, a começar pelo filho que não teria. A decisão já havia sido tomada: ele não teria nenhum filho.

Os dois foram jantar. Um sentou-se ao lado do outro na mesa. Era uma pequena mesa de madeira, que, por vezes, ficava tesa para um lado, pois tinha uma perna mais desgastada que a outra. John era beijava a mão de sua esposa a casa colherada de sopa.

- O que você tem John? Parece que nunca me viu.
- Quero lhe dizer o quanto te amo querida.

Beatrice lavou as louças enquanto John a observava fazendo a tarefa do lar. Ele estava tão encantado por tê-la de novo em seus braços, que não queria tirar os olhos dela. Depois, os dois foram se deitar. Subiram as escadas e John recordou o quanto era frio seu quarto sem sua esposa ao seu lado. Era um vazio, como se lhe tivessem tirado metade da cama. Mas ele não mais sentiria aquilo. Não mais.

Após fazer suas orações, Beatrice deitou-se ao lado de seu marido e deixou ser tocada por ele. Em um instante, John percebeu que estava fazendo algo errado, ele não queria engravidar Beatrice. No mesmo instante, virou-se para o outro lado da cama dando as costas para a esposa.

- O que você tem?

Ele fingiu dormir.

No outro dia, o sol já estava alto quando John se acordou. Ele se dirigiu ao porão, o mesmo lugar onde confeccionara o relógio que lhe trouxe de volta no tempo. Como John poderia dormir todos os dias com sua esposa e conviver com seus pedidos de um filho? A não ser se uma criança fosse gerada, mas não no ventre de Beatrice.

You can replace this text by going to "Layout" and then "Page Elements" section. Edit " About "