E se esse filho que Beatrice tanto queria nascesse de outro ventre que não o dela? Era uma boa idéia e John mataria dois coelhos com uma cajadada só: realizaria o desejo da esposa e não deixaria que ela engravidasse, para que assim não viesse a falecer.
Eram cerca de seis horas da manhã, John se vestiu e deixou a esposa, que já acordara, limpando a casa. Ele seguiu pelas ruelas de Blackpool com muita pressa, queria chegar logo ao Convento Nossa Senhora Mãe de Deus. Lá, moravam freirinhas que viviam da caridade da população pobre de Blackpool. Elas recebiam crianças cujas mães não podiam criar ou morriam. O local era conhecido pelos gritinhos de muitas crianças que brincavam do lado de dentro dos seus grandes muros de pedra.
John parou em frente à porta do Convento, era muito grande e toda em ferro fundido. A origem desta porta ninguém sabia ao certo, muitos diziam que foi doação do Vaticano para as irmãs. O fato é que a porta era uma obra de arte: havia a figura de Maria segurando Jesus no colo, tudo muito bem trabalhado no ferro. Ao bater a porta, John foi recebido por uma jovem freira, talvez ela fosse noviça pois não usava hábito, que o convidou para entrar.
- O senhor pode sentar-se aqui. Vou chamar a Madre - disse ela.
- Obrigado.
John foi encaminhado à um grande escritório, com muitas prateleiras de madeira que abrigavam muitos livros. De repente, ouviu a porta se abrindo as suas costas. Imediatamente se levantou.
- Bom Dia jovem! Em que posso ser útil? - indagou uma senhora que devia ter cerca de 60 anos. Ela vestia hábito e parecia ser a Madre de quem a irmã mais nova tinha se referido.
- Bom Dia Madre - respondeu John. Eu estou aqui à procura de uma criança para adoção. Sei que vocês recebem muitas crianças. Minha esposa é jovem, mas é muito fraca, por isso optamos por adotar um bebê.
- Sente-se por favor.
Os dois se sentaram. Ela por detrás da mesa.
- Então você quer adotar uma criança. E onde está sua esposa? - perguntou a Madre.
- Ela se sentiu indisposta hoje e preferiu não vir - mentiu.
- Está bem. Como é mesmo o nome do senhor?
- John Walter.
- Ah sim! Eu conheço o senhor, é o filho de Matheus Walter não é?
- Sim senhora, ele era meu pai.
- O senhor Matheus foi um grande amigo meu. Sempre que podia, vinha consertar os relógios do Convento e fazia tudo de graça. Nunca deixava que eu pagasse pelos seus serviços. Uma pena ele ter falecido tão jovem, era um homem tão bom... - olhou para suas mãos como que se lembrando de fatos do passado.
- Sim, é verdade. Meu pai faleceu muito novo. Mas falar dele me trás muita saudade. O que posso fazer para adotar um bebê?
- Ah sim, claro. O senhor deve me mostrar seus documentos e me comprovar o casamento por meio da certidão.
- Trouxe tudo - colocou a mão no bolso do paletó e retirou alguns papéis.
A Madre examinou-os minunciosamente e só depois disse:
- Vou acompanhá-lo em uma visita ao pátio do Convento. Lá você vai conhecer muitas crianças, e se quizer bebês, eu o levarei ao nosso berçário.
Os dois se levantaram da sala e saíram em direção ao pátio. Em um belo jardim, haviam muitas plantas e flores que, por causa da primavera, estavam mais vivas e exalavam doces perfumes. John se sentiu feliz por estar naquele lugar, era um lindo ambiente, lá sentia-se muita paz. Crianças estavam brincando por entre as plantas, elas riam e gritavam. Parecia que estavam muito felizes.
John viu meninas e meninos. Ele teria que escolher seu filho agora. Teria que fazer a vontade da amada esposa. Qual seria o melhor filho: o mais brincalhão ou o mais quieto?
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