John segurava aquela pequena mãozinha pelas ruas de Blackpool. Os olhos atentos de Elizabeth pareciam pequenas fontes de luz de tão brilhantes. A pequena observava tudo, parecia encantada com a quantidade de coisas que via pelo caminho.
- Sua casa é muito longe senhor John? - perguntou a garotinha.
- Não, nós já estamos chegando. Você está cansada?
- Sim, um pouco.
- Não se preocupe, estamos perto.
Os dois viraram a esquina e pararam na frente de uma porta.
- Esta é sua casa daqui por diante. - disse John.
John abriu a porta e adentrou com Elizabeth pela sala. Beatrice estava nos fundos lavando roupa. Logo, John tratou de chamar a esposa.
- Beatrice, venha ver a visita que temos. - gritou.
Beatrice veio correndo pela cozinha e logo olhou para a pequena menina com lindos olhos azuis.
- Quem é esta menininha John? - indagou ela.
- Ela vai ficar conosco durante muito tempo. A partir de hoje, ela mora nesta casa. - sorriu.
- Não estou entendendo John. Onde está a mãe dela? Onde você a encontrou? - disse Beatrice parecendo preocupada.
- Vamos conversar no quarto minha querida.
Beatrice sentou na cama e olhou para o marido parecendo impaciente.
- O nome dela é Elizabeth. Eu a adotei no orfanato das irmãs. Ela foi abandonada pela mãe com alguns dias de vida.
- Mas você nunca me falou que queria trazer uma criança para morar conosco. Por quê você tomou essa decisão assim tão rapidamente?
- Beatrice, eu ouço suas orações todas as noites. Enquanto você pensa que eu estou dormindo eu ouço você pedindo a Deus um filho. Eu só quiz lhe alegrar. Ela será mais que uma companhia para você enquanto eu estiver fora. Ela será uma filha. O que você acha?
- Eu ainda estou me acostumando com a idéia. Não sabia que seria tão prontamente atendida. Me dê tempo para encarar isso. - afirmou Beatrice.
- Darei todo o tempo do mundo. Mas não esqueça de que Elizabeth não pode esperar muito. Afinal, prometi à Madre que a menina seria muito bem tratada aqui e que teria uma família amorosa.
Beatrice preparou um suco de fruta para Elizabeth e o ofereceu à garotinha. Ela parecia mais relaxada depois de algum tempo conversando com John. Ele parecia feliz e conversava com a criança euforicamente. Falavam sobre tudo: as aulas no orfanato, os amigos, as brincadeiras e até sobre os castigos que as freiras lhe davam quando fazia alguma travessura.
- Mas você não recebia muitos castigos não é Elizabeth? - indagou John como que não levando muito à sério a própria pergunta.
- Não. Eu só levei dois castigos e um não foi culpa minha.
John passou mais de duas horas sentado à mesa com Beatrice e Elizabeth. Os três pareciam muito envolvidos na conversa e Elizabeth parecia bem mais à vontade. Quando se deram conta, já estava escurecendo e eles nem tinham acendido as velas que iluminavam a casa.
- Creio que já esteja na hora de todos irmos para a cama. Já está ficando tarde. - afirmou Beatrice.
- Você tem razão. - disse John beijando delicadamente a mão da esposa.
Beatrice arrumou o quarto, que antes servia para os hóspedes, para que Elizabeth pudesse dormir. Arrumou as poucas roupas da menina no móvel próximo à cama.
- Você já pode se deitar Elizabeth. - disse ela.
A menina se deitou na cama e ela sentou-se ao seu lado.
- Você está gostando daqui?
- Sim. Vocês são muito divertidos. - falou a menina.
- Que bom! Agora, você vai dormir. Se tiver algum sono ruim, pode bater a porta do meu quarto certo?
- Entendi.
- Boa noite.
John já estava deitado na cama esperando pela esposa.
- Ela dormiu? - indagou ele.
- Coloquei-a na cama. Espero que ela não demore a dormir. - falou a esposa.
- Que bom. Você gosta dela?
- John, ainda é cedo para falar qualquer coisa. Mas, ela me parece uma menininha muito doce e obediente. Creio que não terei muitos problemas com ela.
- Você está feliz?
- Não sei. Estou alegre, mas não sei se isso é felicidade. - disse deitando-se na cama e aconchegando-se perto do marido.
- Espero que isso seja felicidade, pois eu estou muito feliz.
John não estava mentindo. A presença daquela criança fez um sentimento bom nascer no seu coração. Ele não sabia explicar o que sentia. Enfim, estava tudo caminhando em sua vida: ele tinha uma filha e sua esposa não se preocuparia mais com esse problema. Bendita hora em que ele abrira a porta para o velho Sali. Bendita hora...
O Relógio - Parte 6
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